21 de novembro de 2009

Você é quem você ama!



20/11/2009

16 de novembro de 2009

#choreilitros

Minha mãe escreveu uma frase certinha, 
sem nenhum erro de português.

A escola está fazendo efeito. 
Obrigada!

15 de novembro de 2009

Carta ao Pai

Falei tanto de você ontem, falei muito na viagem à Bahia também. Conto para justificar porque engordei, porque cortei o cabelo, porque me afastei de tantas pessoas e tantas se afastaram de mim. Conto para parecer que estás por perto. Parece, que de repente, ser FILHA se tornou meu melhor motivo de viver. Uso tua presença para cumprir meus sonhos, para ser melhor em cada pequena coisa, para amar cada dia mais a nossa família.

Queria só mais um minuto contigo, um papo depois do almoço, ler o jornal de domingo.

Hoje, estava muito calor e almoço era bacalhoada. Eu sabia que ias adorar, que ia tomar um banho morno e ficar andando pela casa sem camisa, com todos os ventiladores ligados. Nos lembramos pouco de ligar o rádio, nunca mais ouvimos a voz do Raul Gil. Estas manias eram suas.Também quase não compramos mais queijo minas e a fruteira não tem mais laranjas.

Não queria falar de você, queria falar para você. Contar que conseguimos realizar o que você desejou pra mim, que a minha mãe voltou a estudar, que engordei mais um kilo, mas que o meu cabelo está lindo e sei que irias elogiar, se pudesse.

Outro dia, minha mãe disse que já mudou muito a forma de enxergar a vida. Foi a primeira vez que senti uma conotação positiva nas frases dela. O Ygor fez Crisma. Estava lindo o seu netinho, chorou o tempo todo e eu sei o motivo. Todas as contas estão sendo pagas em dia. E o Banco te mandou uma carta.

Fizemos um churrasco no meu niver e mamis trouxe uma amiga do colégio. Tive tanto orgulho. Fiquei pensando nas brincadeiras engraçadinhas que farias com a "amiguinha" dela. Estou tão bem no trabalho, precisas ver como sei escrever, como me elogiam.  Não tenho mais os mesmos amigos, mas estou bem na minha solitude.

Outro dia, senti seu cheiro no travesseiro, tirei a fronha, mas não passou. Era seu cheiro em tudo. Preferi dormir sem travesseiro. Durmo na sua cama todas as noites. No cantinho, como você gostava de dormir, como me pediu. Lembra disso, foi sua última frase antes de ir pro CTI?

Minhas gargalhadas voltaram a ser reais e eu quase não choro mais.

Mas a saudade é latejante. Todos os dias.

Está embutida nos sonhos que tenho contigo, nas poesias que não me comovem mais, no apartamento que comprei, na nossa foto em frente a cama, no fato de eu saber que você não estará me esperando acordado quando eu chegar em casa com o dia amanhecendo. Eu te vejo nos seus netos, te sinto no abraço da minha mãe, te reconheço nos meus irmãos. E sorrio cada vez que lembro de um momento nosso.

Não choro porque não é justo contigo. A promessa era que ficaríamos todos bem. Cada dia melhor.

As paredes da sala estão pintadas de um vermelho lindo, acabamos a reforma, só falta a casa de cima. Somos tão felizes aqui. Almoçamos juntos todos os domingos. Estamos bem, mesmo sem você. Estamos bem, principalmente por você. Espero que saiba disso. E por favor, descanse. Se um dia quiseres voltar, estaremos lhe esperando. Prometo.

10 de outubro de 2009

Casamentos, Fé, Diálogo

Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?’ Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.
(Nietzsche)
 


casamento
s. m.
1. Acto!Ato ou efeito de casar.
2. União de homem e mulher para constituir família legal. = matrimónio
3. Contrato de união ou vínculo entre duas pessoas que institui deveres conjugais.
4. Cerimónia ou ritual que efectiva!efetiva esse contrato ou união. = boda
5. Fig. União, associação, vínculo.

Esqueça a definição do dicionário. Não falo aqui de contratos nupciais, formalizados perante um Padre ou um Juiz. Falo do casamento diário, do ato de se unir a uma pessoa. Toda relação tem (ou deveria ter) como foco o casamento, a união. Já aprendemos que é assim que se cresce, que se evolui. E assim casamos. Casamos com o nosso emprego, com a nossa melhor amiga, com aquele colega de bar super legal, com nossos irmãos, com nossos pais e com nossa família. 
E como bem disse Nietzsche, as relações que desafiam o tempo são aquelas baseadas na arte do diálogo.
Diálogo. Ai, o diálogo. É um ato de fé, acima de tudo. E no momento em que a fé nos falta, o que sobra é o espaço da guerra.
É fácil saber o poder de nossas palavras. A capacidade que as mesmas podem ter de destruir ou vivificar a vida de alguém. E não é nada de outro mundo perceber isso embutido nos nossos pequenos casamentos cotidianos. A esposa que fala mal do marido para as amigas; a amiga que só abre os ouvidos para aquilo que lhe interessa ouvir; as conversas baseadas na auto-defesa e no deboche; as pessoas que levam qualquer opinião para o "lado pessoal".
Talvez estejamos nos casamos com o pior que há em nós e esperando que os outros engulam essa bomba. A nossa incapacidade de ouvir o outro nada mais é do que a nossa falha na conversa. A amiga recalcada que não dá importância para as suas histórias de noitadas; o colega de trabalho que espalha uma fofoca com seu nome; o mal entendido que permeia as conversas virtuais; o pisar em ovos que domina algumas relações.
Por vezes, percebo uma casca que cresce em volta de nós como ato de proteção contra as possíveis consequências da conversa. 
A confiança vai descendo pelo ralo da intimidade quebrada; a confissão torna-se armamento do outro. Os casamentos se desfazem. A Fé dilui na água na vulnerabilidade.
Esquecemos de lembrar que a ideia inicial era apenas a liberdade. Livre no falar, no desabafar, no aconselhar. E ego ferido trocou isso pela ofensa, pela vontade de apenas provar: eu não tenho este problema, sou melhor do que você.

  "Projete você mesmo em todas as criaturas.
Então, a quem você poderá ferir?
Que mal você poderá fazer?"

(Via @moniregios) 

"E então que se não der certo este casamento eu me separo". É, sempre há esta opção. A justiça nos dá. E nós confirmamos no "ausente" do msn; no delete do orkut; no mail não respondido; no mudar de calçada; no Feliz Aniversário que fingimos que esquecemos de desejar, e nas mais diversas expressões que a nossa ignorância encontrar.
O tempo passa, a idade chega, o lúdico cede lugar a tal da maturidade. As relações mudam de rumo, terminam sem nem antes começar. Como fruta que cai da árvore antes de amadurecer. Apodrece antes do tempo.
Talvez tenha acabado a afinidade, sobrado egocentrismo. Talvez tenha sido só a distância, ou o sexo que esfriou. O marido que engordou. O filho que se revelou gay, frustrando seus sonhos de vê-lo num casamento tradicional. Talvez seja só o excesso de trabalho, o excesso de julgamento. Ou o jogo de empurra-empurra para ver quem procura o outro primeiro, quem se arrependerá e pedirá desculpas pelos deslizes foi acusado de cometer quando apenas escolheu ser o que se é.
Talvez não tenhamos suportado ouvir, ou não percebido a forma certa de falar. Ou tenhamos perdido a fé. Aquela fé infantil que nos faz acreditar que tudo era para sempre e nos ensina a cuidar dos nossos casamentos para que o para sempre nunca acabe. Ou então, foi aquela fé adulta, distorcida pela necessidade da troca: só dou se receber.
E então, talvez a "profecia" de Nietzsche nem mesmo tome forma. E envelheceremos antes do tempo, focados no que não era o principal. Esquecidos do atributo fundamental.

30 de setembro de 2009

Trinta anos, Trinta e-mails

Sabe quando você lê algo e pensa: é tudo que penso, mas não escrevo? Pois é, com este post foi assim. Descobri pelo twitter, não me lembro como, e fiquei encantada com a simplicidade e objetividade do recado.
Como sou contra plágios, posto aqui o link oficial




Não passo uma semana sem receber pelo menos um e-mail com textos ou links de algum blog feminino. O assunto: homem, claro. A maioria das autoras está ali, na casa dos trinta e fazendo contas para o futuro. E como reclamam. É uma cantilena sem fim. Porém, como admirador incondicional das mulheres, especialmente das minhas companheiras de geração, sinto-me na obrigação de tentar ajudar, afinal, toda mulher merece ser feliz. Então, para você, minha amiga indignada, aí vai o meu toque. É numa boa mesmo, prometo que não estou querendo te levar para a cama.

É verdade, suas chances estão diminuindo e o tempo está realmente passando.

Mas você está sozinha por opção. Não tem ninguém porque não quer. A culpa é sua. Não totalmente, mas a maior parcela é sua.

Você começou a diminuir suas possibilidades no dia que acreditou em um dos maiores mitos da história da humanidade: a mulher independente. E como não foi o homem que inventou esta bobagem, isto já elimina boa parte da nossa responsabilidade.

Você acreditou e continua insistindo nessa baboseira. Teoria mais furada que o feminismo, só o comunismo.

Você não é independente nem nunca vai ser. Principalmente, porque o seu conceito de independência está completamente distorcido.

Ser independente não é só pagar as próprias despesas. Isto deve ser meta de vida de todo mundo.

Independência também não é fazer somente o que se tem vontade. Isto é egoísmo. Muito menos é transar com quem dá na telha e sair espalhando pra posar de liberada. Isto é vaidade, carência de atenção. Pior ainda é fazer para aparecer e depois engolir o arrependimento com angu, sozinha no quarto. Isto é hipocrisia.

Você não é resolvida porque trata homem “de igual pra igual”. Nem é moderna porque rebate tudo na mesma moeda. Responder grosseria com grosseria é falta de educação, o que não é legal em ninguém mas, com certeza, na mulher é muito mais feio.

Vingar traição com traição também não é sinal de autonomia e sim de pobreza de espírito.

Sair para balada porque o namorado te trocou para jogar bola ou poker não é coisa de mulher, e sim de adolescente.

Cada vez que você tenta “dar o troco”, só confirma sua subordinação ao homem. Quando você se exalta, xinga e despreza, na verdade está dizendo “por favor, não me deixe sozinha de novo que eu não dou conta. Eu não me aguento.”

Quando esconde sua fragilidade por baixo de insultos e rispidez, só prova o quanto ela é grande. E ao usar a mesma fragilidade para fazer drama e pedir arrego, apenas confirma o que o homem já sabia: além de grossa, é fraca, manipuladora e previsível. Quando você berra, todo homem sabe que depois vem choradeira. E este expediente, além de infantil, é muito chato. Dá preguiça.

Quando você, mulher “moderna”, faz piada da sua amiga que sonhou e conseguiu ser dona de casa, saiba que ela está muito mais feliz do que você. E se é do tipo que se recusa a ser Amélia achando que é isso que todo cara quer, então você não sabe nada sobre homens.

(E de mais a mais, para o mundo é melhor uma Amélia feliz do que uma “liberada” pé- no-saco.)

Quer ser independente? Admita a necessidade de ter um homem. Homem não tem vergonha de escancarar que precisa de mulher.

Se você é daquelas que repete a toda hora que não precisa de ninguém para ser feliz, você não só precisa, como seu caso é grave. É urgente. A Madonna não vive sem macho, a Angelina também não, Jennifer Aniston idem. E para elas não falta estabilidade financeira e atenção, mesmo assim todas reconhecem a necessidade de companhia. Portanto, baixe sua bola.

E não é porque, para elas, os homens do leque de opções são perfeitos. Pois fique sabendo que o George Clooney esquece datas de aniversário e faz xixi na beirada da privada. O Johnny Deep coça o saco, grita quando a mina dele enche a paciência e tem coragem de pegar a Samambaia ou a Priscila do BBB, só depende da ocasião. Se você fosse tão esperta quando acredita, já teria percebido que nem todo homem é sapo, mas nenhum é príncipe.

De fato, tem muito vagabundo por aí. Mas são tão previsíveis que se você, a esta altura do campeonato, ainda consegue cair nessas pegadinhas, a culpa é, de novo, inteiramente sua. Ninguém põe um revólver na sua cabeça e te obriga a fazer besteira.

Ou se tem certeza que “homem é tudo igual”, escolha logo um e pare de resmungar e se enganar.

Nickzinhos do Fernando Pessoa no MSN não vão trazer “borboletas para o seu jardim.” Não acredite em poetas. O poeta tem certeza que o texto dele é bom, ele só mostra para a mulher quando quer sexo. São bêbados, mentirosos, infiéis, vestem-se mal e vivem com olheiras. A frase “beleza é fundamental” certamente foi inventada para justificar uma traição.

Quer ser independente? Assuma suas vontades, riscos e segure a bronca sem chororô. Se o seu tesão é por um abdome sarado, fique com ele, mas depois não espere que o tanquinho se transforme em massa cinzenta. Ou boa sorte quando for tentar mudar à força.

Malhe para ter o corpo que você deseja e não o que está na moda. Saiba que os mls do seu silicone só fazem diferença nos primeiros cincos minutos, mas é quando você abre a boca que o cara decide o que quer com você. Homem é prático, se liga no resultado, e quem determina isso é o caráter e a personalidade da mulher.

Fique com o cara que você quer e não com o que todas querem. Independência é dizer “sim” quanto se tem vontade. Ficar adiando por frescura é correr o risco de perder oportunidades e só demonstra imaturidade. Diga “não” se for o caso, mas seja educada, porque o sujeito pode não ser o seu tipo, mas o amigo dele talvez seja. E o rejeitado não vai economizar palavras nem para te elogiar, nem para falar mal.

Vista-se para você mesmo e não para competir com as outras. Homem não vê graça nenhuma num bando de bonecas padronizadas (a não ser que estejam peladas). Depois não reclame quando o seu desejado preferir a “baranga”.

Ao invés de ralar para ter o peito ideal, procure ter a mente ideal. Tire um pouco a bunda do banco de supino e ponha no divã do analista. Antes de partir para o próximo errado, vá descobrir porque você dispensou os bons.

Reconheça suas inseguranças, trabalhe-as, entenda. Não há mal nenhum nisso. Não é motivo de vergonha. Pare de negar suas fraquezas tentando se equiparar ao homem. Você não vai conseguir e ainda vai trazer problemas para quem estiver do seu lado.

Desencane dos seus trinta anos. Há muita vida pela frente. Se você aproveitou todo esse tempo para acumular traumas ao invés de aprendizado, a culpa não é da idade. A situação ficará pior com quarenta, cinquenta e por aí vai, se você continuar achando que vai encontrar o homem perfeito. Você estará mais solteira, mais chata e menos bonita. A hora é agora. Procure ser o melhor que você pode, não espere dos outros. Isto sim é independência. Se demorar para entender, quando se der conta, vai sofrer pela beleza que perdeu. E velhice não tem solução, só disfarce.

De uma vez por todas: você é mulher. Frágil, sensível, sonhadora, indecisa e insegura. Nenhum cara inteligente espera nada diferente. Mas no momento que tenta ser outra coisa, você deixa de ser um delicioso mistério e se transforma em um problema chato e sem solução.

E se leu até aqui e só chegou à conclusão de que eu sou um revoltado que não pega ninguém, então você somente confirmou tudo que eu acabei de dizer sobre você.

Uma pena. Eu estou só te dando uma força. Quero apenas te ver feliz. E evitar que minha caixa de entrada se entupa com mais porcaria. (Neizz)

22 de setembro de 2009

Vergonha na cara

Quanto mais se tem de si, 
menos se quer dos outros.

(Arthur Schopenhauer)




Uma das maiores críticas que sempre me fizeram é que nunca tive vergonha na cara. Chateada, defendia-me dizendo que não tinha muita capacidade de odiar, por isso conseguia esquecer com facilidade o que me faziam. E assim, as relações se seguiam (Será?). No entanto, ao abandonar o sentimento de ofensa, me dei conta de que o verdadeiro valor da vergonha na cara não está na discussão ou na imposição de ideias. Nem mesmo tem relação com não saber perdoar ou guardar raiva, mágoa e ódio dentro de si. Trata-se de ter elegância no comportamento e se olhar com respeito e com carinho.
Quem sabe perceber quando sobra, quando não é mais desejado, rebaixado nas entrelinhas, ou quando está servindo de bode expiatório da baixa-estima do outro, e consegue se retirar sem precisar guerrear, deveria ser coroado rei. Como dizem por ai, o silêncio é de ouro e, em minha opinião, as palavras, muitas vezes, nada mais são do que suor desperdiçado.
Nunca gostei de suar e por muito tempo tive a ideia errada de que meu coração era como uma favela, sempre cabia um desabrigado. Não, não cabe. De uns tempos para cá, só tem morada em mim quem faz por merecer este abrigo. Não precisa pagar aluguel, mas é obrigatório colaborar para manter o ambiente limpo e bem cuidado. Em curtas palavras: Mantenha o respeito!
E assim que determinei sem abrir a boca, sem escrever nos murais online da vida e sem precisar me perguntar era correto ou não: posso amar quem eu quiser, mas só demonstro para quem corresponde. No mais, recuo-me e direciono a importância para outra opção ou alguém que mereça. E isso vale para quem vier.
Ainda de uns tempos pra cá, descobri que a vergonha na cara é a eterna luta da real percepção com a coragem. É preciso não se colocar vítima do mundo para não cair nas armadilhas do ego ferido, que crê que todos têm que estar a seu favor - Não se trata disso. E ao mesmo tempo, é preciso uma dose imensa de solitude. De se bancar sozinha. Vai lá que no final das contas seja real o fato de que todas as raízes das árvores do sue jardim precisam ser cortadas?
Não aprendi a ser cangaceira, nem lidar com facão ou serra elétrica e não gosto da agressão do corte. Apenas estou aprendendo a trancar a porta do meu latifúndio e não contar para ninguém onde esta a chave reserva. Quem decide minhas visitas sou eu. Do outro lado, mudei a forma de alimentar a terra. Quando as ervas daninhas não têm o que destruir morrem de inaninação.
Nosso tempo e nossas palavras são preciosas demais para oferecermos a quem não saberá compreendê-las ou escutá-las. E diálogos construtivos são aqueles que não deixam espaço para a autodefesa, para o ataque ou para a sobreposição do certo sobre o errado. Da minha opinião sobre a de ninguém ou a de outrem sobre a minha.
Minha carência seletiva tem se resumido a praticar a máxima de que eu sou minha melhor amiga e companhia.
Para quem olha de fora, parece simplesmente uma brisa suave, ou no máximo, um dia de mau humor. Para quem vive a experiência, sabe que quando a força da mudança se torna impaciente, é preciso ceder e refazer. Já quase não lembro dos que saíram, apenas dos que deixei ficar. Não lembro de ter mandado cartão de despedidas ou ter acenado até breve para ninguém, não recordo de nenhum bate-boca ou mail malcriado. Só recordo de um "Basta".
Se a crítica da falta de vergonha na cara algum dia vai se transformar em elogio, não sei. A busca não é esta. muito menos o caminho. Não há necessidade de aval ou clap, clapt. O que importa mesmo é a sensação de que o nhém-nhém-nhém saiu do cenário, que a energia está se restabelecendo e de que essa é uma decisão sem volta.

30 de agosto de 2009

A insatisfação nossa de cada dia


Quando era criança e reclamava de não ter o novo disco da Xuxa, ou porque o bonitinho da rua não me olhava, minha mãe quase sempre me levava para alguma comunidade ou favela. Chegando lá, apenas entrávamos e ela me mostrava os valões de esgoto, os barracos, ou me deixava com as crianças remelentas e sem roupa. Não dizia nada, nem fazia amizades. Era só aquilo. Nada além.

Já em casa, quanto entrávamos no meu quarto, ela colocava minhas bonecas sobre a cama, arrumava os brinquedos, me mostrava as roupas do armário e o uniforme do colégio particular pendurado atrás da porta. E me trancava ali por algumas horas, minutos talvez.

Demorei para entender o sentido daquilo. Encarava como castigo e falta de atenção dela.

Semanas atrás, entrevistei uma coaching, numa pauta sobre executivos insatisfeitos. De primeira, ela falou: "Não importa o cargo, nem o perfil. Todos reclamam. Virou moda". Continuei a entrevista, mas fiquei com o trecho latejando na cabeça. Esta semana, lendo este artigo, acabei juntando as referências. Para completar, pedi para minha mãe contar como era a vida antes de conhecer meu pai. Ela respondeu com repostas evasivas, encerrando a conversa assim: "Olha pra frente, garota. Para que ficar falando daquilo que não serve mais? Relembre coisas boas"

Impossível não pensar: Por que reclamamos tanto? Somos vítimas do chefe, dos amigos incompreensivos, da dor de cabeça nossa de cada dia. Mal humorados pela falta de sol, ou pela falta de frio que nos impedirá de usarmos nosso guarda-roupa de inverno. Endemoniamos o carinha que nos deu um pé na bunda, ou a amiga que furou o encontro, ou o doce de leite que nos rendeu dois kilos a mais. Estamos drogados. Viciados no mimimi.

E a capacidade da alegria desce ladeira abaixo.

Quem foi que nos ensinou que é idiotice rirmos de nós mesmos? Ou que pessoas brincalhonas não são confiáveis? Não propago o conceito abstrato da felicidade. Mas assim como na canção, "todo mundo tem pentelho, só a bailarina que não tem". Sim, todos temos pentelhos, celulites, contas para pagar, comidas que não gostamos, pessoas que nos irritam e muito mais. Só a bailarina (E a Sandy) que não tem.

Então por que tanta lamentação? Será nececissade de palmas? É tão necessário alimentarmos nossas biografias repetindo exaustivamente os problemas que passamos só para ouvir: Parabéns, você venceu? E desde quando escravos do próprio ego e dependentes da opinião do outro são vencedores? O reclamão nada mais é do que um carente.

Não que tenhamos que fazer cara de botox, com sorrisos a torto e a direito. Nem agradecer ao topar o dedão do pé no móvel da sala. Ou naturalizar aquilo que nos irrita. Mas quem disse que vida plena é ausência de problemas? Ou melhor, quem garante que lamuriar realmente resolve? No mínimo, entope os ouvidos dos outros. No máximo, nos afoga nessa lama movediça da autopiedade. Caminho muitas vezes sem volta para quem crê que esta é a única trilha possível dos tempos modernos.

Sei que o que dói em mim, pode ser cócegas no outro. E que pimenta no C. dos outros é refresco. E que empatia é uma virtude. Sim. No entanto, será que estamos tão mal assim e que é preciso lamentar aos quatro ventos sempre? Pode ser que exista por aí uma conspiração disposta a sabotar nossas aspirações, fazer nosso calo doer, o esmalte descascar ou nossos parentes falecerem. Ou que todo azar do mundo tenha caído em nosso colo. Mas simplesmente, pode ser que seja apenas uma questão de escolha. Nossa escolha. Afinal, cada povo tem o governo que merece!

Talvez a frase clichê: "Vai passar", funcione. Passa sim. E muitas vezes porque simplesmente não estava ali. São nossos olhos de lente de aumento que transformam formigas em elefantes. E que encaram o copo sempre pela metade vazio. Mas se o mau hábito permanece, qualquer unha quebrada ou queda das Torres Gêmeas poderão ter sempre a mesma proporção.


..: Retornei e aproveito para agradecer à Faxina pelo lindo template :..

9 de agosto de 2009

História Verídica

Minha irmã trabalha na administração de uma rede de motéis. Ai, hoje, ela chega em casa, pela manhã, com uma galinha branca dentro do carro, presa dentro de uma caixa de papelão. Sim, o cliente deixou "de presente" para ela a bichinha presa no quarto do motel.

E pra piorar, minha mãe tirou do cachorro de minha irmã o prazer de matar a galinha e ela mesma matou. Não sem antes ficarmos de olho para ver se a bichinha tinha sofrido violência sexual lá no motel!!!

Enfim, poderia ter virado nossa janta, mas já tínhamos comprado camarões para fazer um risoto.

Tem horas que entendo porque não recebo alta da análise. Freud explicaria, mas preferi Jung.

Creditando

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