13 de dezembro de 2009

7 de dezembro de 2009

A Evolução das Espécies



Porque, definitivamente, os homens realmente descendem do MACACO. E muitos deles jamais deixarão de descender

Não entendeu? clique aqui E aqui

29 de novembro de 2009

E se um deles...

...fosse a reencarnação de Jesus Cristo



O que VOCÊ faria?

16 de novembro de 2009

#choreilitros

Minha mãe escreveu uma frase certinha, 
sem nenhum erro de português.

A escola está fazendo efeito. 
Obrigada!

15 de novembro de 2009

Carta ao Pai

Falei tanto de você ontem, falei muito na viagem à Bahia também. Conto para justificar porque engordei, porque cortei o cabelo, porque me afastei de tantas pessoas e tantas se afastaram de mim. Conto para parecer que estás por perto. Parece, que de repente, ser FILHA se tornou meu melhor motivo de viver. Uso tua presença para cumprir meus sonhos, para ser melhor em cada pequena coisa, para amar cada dia mais a nossa família.

Queria só mais um minuto contigo, um papo depois do almoço, ler o jornal de domingo.

Hoje, estava muito calor e almoço era bacalhoada. Eu sabia que ias adorar, que ia tomar um banho morno e ficar andando pela casa sem camisa, com todos os ventiladores ligados. Nos lembramos pouco de ligar o rádio, nunca mais ouvimos a voz do Raul Gil. Estas manias eram suas.Também quase não compramos mais queijo minas e a fruteira não tem mais laranjas.

Não queria falar de você, queria falar para você. Contar que conseguimos realizar o que você desejou pra mim, que a minha mãe voltou a estudar, que engordei mais um kilo, mas que o meu cabelo está lindo e sei que irias elogiar, se pudesse.

Outro dia, minha mãe disse que já mudou muito a forma de enxergar a vida. Foi a primeira vez que senti uma conotação positiva nas frases dela. O Ygor fez Crisma. Estava lindo o seu netinho, chorou o tempo todo e eu sei o motivo. Todas as contas estão sendo pagas em dia. E o Banco te mandou uma carta.

Fizemos um churrasco no meu niver e mamis trouxe uma amiga do colégio. Tive tanto orgulho. Fiquei pensando nas brincadeiras engraçadinhas que farias com a "amiguinha" dela. Estou tão bem no trabalho, precisas ver como sei escrever, como me elogiam.  Não tenho mais os mesmos amigos, mas estou bem na minha solitude.

Outro dia, senti seu cheiro no travesseiro, tirei a fronha, mas não passou. Era seu cheiro em tudo. Preferi dormir sem travesseiro. Durmo na sua cama todas as noites. No cantinho, como você gostava de dormir, como me pediu. Lembra disso, foi sua última frase antes de ir pro CTI?

Minhas gargalhadas voltaram a ser reais e eu quase não choro mais.

Mas a saudade é latejante. Todos os dias.

Está embutida nos sonhos que tenho contigo, nas poesias que não me comovem mais, no apartamento que comprei, na nossa foto em frente a cama, no fato de eu saber que você não estará me esperando acordado quando eu chegar em casa com o dia amanhecendo. Eu te vejo nos seus netos, te sinto no abraço da minha mãe, te reconheço nos meus irmãos. E sorrio cada vez que lembro de um momento nosso.

Não choro porque não é justo contigo. A promessa era que ficaríamos todos bem. Cada dia melhor.

As paredes da sala estão pintadas de um vermelho lindo, acabamos a reforma, só falta a casa de cima. Somos tão felizes aqui. Almoçamos juntos todos os domingos. Estamos bem, mesmo sem você. Estamos bem, principalmente por você. Espero que saiba disso. E por favor, descanse. Se um dia quiseres voltar, estaremos lhe esperando. Prometo.

10 de outubro de 2009

Casamentos, Fé, Diálogo

Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?’ Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.
(Nietzsche)
 


casamento
s. m.
1. Acto!Ato ou efeito de casar.
2. União de homem e mulher para constituir família legal. = matrimónio
3. Contrato de união ou vínculo entre duas pessoas que institui deveres conjugais.
4. Cerimónia ou ritual que efectiva!efetiva esse contrato ou união. = boda
5. Fig. União, associação, vínculo.

Esqueça a definição do dicionário. Não falo aqui de contratos nupciais, formalizados perante um Padre ou um Juiz. Falo do casamento diário, do ato de se unir a uma pessoa. Toda relação tem (ou deveria ter) como foco o casamento, a união. Já aprendemos que é assim que se cresce, que se evolui. E assim casamos. Casamos com o nosso emprego, com a nossa melhor amiga, com aquele colega de bar super legal, com nossos irmãos, com nossos pais e com nossa família. 
E como bem disse Nietzsche, as relações que desafiam o tempo são aquelas baseadas na arte do diálogo.
Diálogo. Ai, o diálogo. É um ato de fé, acima de tudo. E no momento em que a fé nos falta, o que sobra é o espaço da guerra.
É fácil saber o poder de nossas palavras. A capacidade que as mesmas podem ter de destruir ou vivificar a vida de alguém. E não é nada de outro mundo perceber isso embutido nos nossos pequenos casamentos cotidianos. A esposa que fala mal do marido para as amigas; a amiga que só abre os ouvidos para aquilo que lhe interessa ouvir; as conversas baseadas na auto-defesa e no deboche; as pessoas que levam qualquer opinião para o "lado pessoal".
Talvez estejamos nos casamos com o pior que há em nós e esperando que os outros engulam essa bomba. A nossa incapacidade de ouvir o outro nada mais é do que a nossa falha na conversa. A amiga recalcada que não dá importância para as suas histórias de noitadas; o colega de trabalho que espalha uma fofoca com seu nome; o mal entendido que permeia as conversas virtuais; o pisar em ovos que domina algumas relações.
Por vezes, percebo uma casca que cresce em volta de nós como ato de proteção contra as possíveis consequências da conversa. 
A confiança vai descendo pelo ralo da intimidade quebrada; a confissão torna-se armamento do outro. Os casamentos se desfazem. A Fé dilui na água na vulnerabilidade.
Esquecemos de lembrar que a ideia inicial era apenas a liberdade. Livre no falar, no desabafar, no aconselhar. E ego ferido trocou isso pela ofensa, pela vontade de apenas provar: eu não tenho este problema, sou melhor do que você.

  "Projete você mesmo em todas as criaturas.
Então, a quem você poderá ferir?
Que mal você poderá fazer?"

(Via @moniregios) 

"E então que se não der certo este casamento eu me separo". É, sempre há esta opção. A justiça nos dá. E nós confirmamos no "ausente" do msn; no delete do orkut; no mail não respondido; no mudar de calçada; no Feliz Aniversário que fingimos que esquecemos de desejar, e nas mais diversas expressões que a nossa ignorância encontrar.
O tempo passa, a idade chega, o lúdico cede lugar a tal da maturidade. As relações mudam de rumo, terminam sem nem antes começar. Como fruta que cai da árvore antes de amadurecer. Apodrece antes do tempo.
Talvez tenha acabado a afinidade, sobrado egocentrismo. Talvez tenha sido só a distância, ou o sexo que esfriou. O marido que engordou. O filho que se revelou gay, frustrando seus sonhos de vê-lo num casamento tradicional. Talvez seja só o excesso de trabalho, o excesso de julgamento. Ou o jogo de empurra-empurra para ver quem procura o outro primeiro, quem se arrependerá e pedirá desculpas pelos deslizes foi acusado de cometer quando apenas escolheu ser o que se é.
Talvez não tenhamos suportado ouvir, ou não percebido a forma certa de falar. Ou tenhamos perdido a fé. Aquela fé infantil que nos faz acreditar que tudo era para sempre e nos ensina a cuidar dos nossos casamentos para que o para sempre nunca acabe. Ou então, foi aquela fé adulta, distorcida pela necessidade da troca: só dou se receber.
E então, talvez a "profecia" de Nietzsche nem mesmo tome forma. E envelheceremos antes do tempo, focados no que não era o principal. Esquecidos do atributo fundamental.

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