13 de setembro de 2008

Se todos fossem iguais a você

...Que chatice seria viver


Se todos fossem como eu, ou como tu, o que seria de nós? Que aprendizado existe se ao olhar no espelho dos olhos dos outros só projetamos o que construímos de nós? Gostos, hábitos, frustrações, manias…todo este panteão é o que nos faz incompletos, para que o completo não tome o espaço que a mutação do novo provoca. Permitir-se sair do nosso império particular e visitar o palácio de cristal de quem nos convidou para dançar é como viajar por nuvens cor de terra, cor de chão forte e sólido. Porque que só os céus azuis podem ser bonitos?
A gente limpa os armários, muda os móveis de lugar, joga fora as agendas da adolescência, as fotos do ex-namorado, mas quando a paixão invade nosso quintal sem pedir licença nos assustamos com o assalto, trancamos as portas, ou tratamos o visitante com hostilidade. A placa na porta de entrada tem o mesmo cruel e velho texto: "Eu nasci assim, eu cresci assim. Eu sou assim".
Nasceu? Cresceu? É?
Doe as roupas e os sapatos que não lhe servem, mas guarde no falso poder da auto-afirmação e do orgulho toda sua insegurança de ser desarmado, apenas pelo receio de macular a própria essência. Medo? Só porque como morangos com açúcar, enquanto preferes uva verde somos incompatíveis? Os pomares bem cuidados rendem ótimas saladas de frutas.
Se gosto do verde e você do azul, juntos podemos descobrir a beleza do amarelo. Ou ficar com as três cores…Ou brincar com todo arco-íris…Se sei que meu azul é minha verdade, jamais terei medo do seu verde. Se vivo o que acredito, perco o medo da suposta ameaça do novo. Não importa o poder que isso tenha. Se já lhe conheço, se conheço esta história, abro mão do colar de pérolas que as filhas da Lua fizeram para me presentear. Nosso castelo só perde a base se for construído em areia.
É apenas a questão de estar disposto, e largar a convicção do oposto. Sem bulas pré-digitadas ou manuais de instruções, sem anular o que se ama, mas com a porta sempre aberta, porque estou levando flores frescas para enfeitar a janela do seu quarto. Elas foram colhidas no campo perto da sua casa, perto do altar onde esqueci meus brincos cor de prata.
Não pergunte antes o que sou, não sei baseie apenas nas fotos, não queira tanto as opiniões, nem mesmo a minha. Não desvende, deixa ser mistério, incompreensão. Me dê a mão e vamos dançar, tomar banho de mar ou passear. Juntos enfeitamos o caminho.

8 comentários:

Roberta disse...

é eu continuo achando desperdicio vc demorar taaanto assim pra postar!!
e que delícia é conseguir desvendar a história toda lendo seu texto, kkkkkkkkkk
eu prefiro assim!!
bjus amiga, tenho saudades
Roberta

Gabrieli Martins disse...

Que delícia de narrativa!

;***

julio de castro disse...

ah, mas também há vantagens num mundo cheio de getne igual a mim. seria ótimo viver num mundo onde as pessoas entendem minhas piadas.

só pra ser "do contra". mil coisas.


:P

Di disse...

Que bom que as pessoas são diferentes, isso devia somar, acrescentar algo a nós e aos outros e não dividir.

Lindo texto, flor. Encantador. Parece bem, isso me alegra. =D
Saudades tb.
beijinho

Jana disse...

ah entendo tão bem essas linhas, vc não tem idéia

beijos

Luciana Andrade disse...

e nas diferenças é onde se encontra a paixão. pelo outro, pelo desconhecido...
adorei o texto!

Tecelã disse...

Olá, perdida. Bom te achar e este teu texto tão bem tecido.
O jornalismo precisa de ética e de gente que tenha intimidade com as palavras, como você.

Adiciono teu link no meu blog.
bj.

Sérgio de Castro disse...

Quero ajuda na template sim!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

BEIJOS!

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